quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Memórias de Araruna: Recordando Tota do Camucá

Antônio Fernandes Cordeiro
Antônio Fernandes Cordeiro, nasceu aos 21 de abril de 1921, em Araruna/PB, no sítio Camucá, filho de Luís José Fernandes e Maria Augusta Cordeiro. Popularmente conhecido pela alcunha de "Tota do Camucá", em referência ao sítio onde nasceu e  viveu parte da vida, sendo um dos maiores expoentes pela luta dos direitos dos trabalhadores rurais na história do município. 

Perdeu sua mãe muito jovem, aos 3 anos de idade, quando a mesma, deu á luz a seu único irmão, que também teve vida curta, morrendo aos 3 anos, quando Antônio estava com 6, tendo sido desta maneira criado pelo pai Luís José. 

Estudou apenas o referente ao antigo primário, em um grupo escolar no sítio Mata Velha, tendo a senhora Veny Torres, como uma de suas professoras.

Com 16 anos, casou-se com Rita Pontes da Costa, cujo enlace gerou 11 filhos: Maria Augusta, Maria Olívia, Maria Aparecida, Bernadete, Auta Mira, Antônio, João, Assis, José, Miriam e Joana Darc. Porém, Dona Rita faleceu em 1961, aos 40 anos de idade.

Com a morte da esposa, Antonio casa-se com uma irmã mais nova dela,  Stela Maris, com quem teve mais 9 filhos: Luis Carlos, Luiza, Pedro, Márcia, Marcos, Teresa, Lucrécia, Emiliano e Quitéria.

Casa que Tota residiu no sítio Camucá, construída por seu avô.
Foto de março de 1982. Fonte: Acervo da família Fernandes. 
Durante a década de 1940 deixa o sítio Camucá e vai morar em Santa Cruz/RN, onde viveu por quase uma década, retornando á Araruna por volta dos anos 1950, onde passa a cuidar do pai idoso e alguns tios, morando até 1971 no sítio Camucá, de onde o deixa novamente, para residir no sítio mais próximo á cidade,  denominado "Lagoa dos Homens", e posteriormente, 1975,  na zona urbana, mais precisamente na Avenida Semeão Leal, popular "Rua da Avenida", entretanto, não se desvinculando da zona rural. Esta ida á cidade está em parte ligada á um melhor acesso de seus filhos á escola, mas constantemente visitava seu imóvel rural. E, por volta de 1987, volta a residir em sítio, na Lagoa dos Homens, até os últimos dias de sua vida.

Antônio Fernandes no Sindicato dos Trabalhadores
Rurais de Araruna, sentado ao fundo Ernany Moura.
Seu Tota sempre trabalhou como agricultor, e sempre esteve envolvido com as causas de sua classe trabalhista, dentre uma de suas maiores preocupações era de conseguir mobilizar os trabalhadores rurais a garantirem direitos de receberem sua aposentadoria, inicialmente, meio salario mínimo, e posteriormente um salario inteiro.

Como os trabalhadores rurais não foram contemplados com os direitos trabalhistas garantidos pelo presidente Getúlio Vargas em 1943, que abrangia apenas os trabalhadores urbanos.

Apenas a partir de 1963, é que foi criado um Estatuto do Trabalhador rural, que lhes asseguravam direitos como indenização, aviso prévio, salário, férias, repouso, entre outros, mesmo assim, muitos destes direitos apenas vigoraram de fato, a partir da Constituição Federal de 1988, até lá houveram muitas lutas.
                                               
Mediante o envolvimento com estas causas, acabou se tornando o fundador do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araruna, em 26 de agosto de 1972, mas sendo reconhecido somente em 1975.

Como um líder das causas rurais se envolveu muito fortemente nestas questões, durante a década de 1980, sobretudo, ao que se refere a Reforma Agrária, neste período participou de diversos congressos em Brasília, afim de discutir melhorias para a vida dos trabalhadores do campo, juntamente com outros sindicalistas do estado e de outras regiões.
Geraldo Ferreira Leite, Monsenhor Joaquim e Antonio Fernandes no
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araruna.
Seu Tota com membros do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araruna/PB.
 Data indenifida. Fonte: Acervo da Família Fernandes.
Antonio Fernandes "Tota", o primeiro a direita em pé, ao lado de pessoas ligadas a  sindicados de
trabalhadores rurais em Brasília. Foto do final dos anos 1970.  Fonte: Acervo da Família Fernandes.
Tota do Camucá, o quinto em pé á esquerda, em um dos congressos que participou em Brasília,
 no final dos anos 1970. Fonte: Acervo da Família Fernandes.
Neste período, conheceu melhor movimentos como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Sem Terra (MST), além de conhecer o líder sindical em grande ascensão em âmbito nacional, Luís Inácio Lula da Silva, futuro presidente da república, que chega a visitar sua residência em Araruna, na Rua da Avenida, por volta de 1982. Mediante estas aproximações, Antonio Fernandes funda o Partido dos Trabalhadores (PT), em Araruna - PB.

Tota conhece ainda a luta de Margarida Maria Alves, expoente pelas lutas no campo, assassinada aos 12 de agosto de 1983, em Alagoa Grande/PB, prevendo sua morte com seu discurso constante: "Da luta não fujo. Prefiro morrer na luta do que de fome", sua morte sensibilizou bastante Tota, que foi ao sepultamento de Margarida prestar sua solidariedade a sua pessoa e a causa que defendia, pois não era algo tão simples, este crime chamou a atenção do Brasil, para o clima de tensão entre os sindicatos e os latifundiários do Agreste Paraibano. 

Discurso de Margarida Maria Alves em Guarabira, com a Igreja de Nossa Senhora da Luz ao fundo, evento que contou com  a participação de Luís Inácio Lula da Silva. Tota do Camucá também se faz presente, sendo o primeiro a direita. Fonte: Diocese de Guarabira.
Por seu envolvimento cada vez mais forte com a luta pelos direitos dos trabalhadores rurais e Reforma Agraria, e organização de áreas de assentamento, acaba sendo preso por envolvimento em conflitos de terra em 1983, conseguindo um habeas corpus do criminalista paraibano renomado Geraldo Beltrão. 

Após notar uma espécie de favorecimento de algumas pessoas que lideravam movimentos como CUT e MST, sobre os mais pobres, decidiu se desfiliar do PT, onde a política local o trouxe a uma candidatura a vereador em 1988, já pelo partido do PMDB, da candidata a prefeita Wilma Maranhão, Tota entretanto não conseguiu se eleger, obtendo apenas 45 votos.

Seu Tota discursando em sua campanha para vereador em 1988, juntamente com a prefeita Celeste Torres,
 e Wilma Maranhão, eleita prefeita naquele pleito. Fonte: Acervo da Família Fernandes.
Possuidor de um incontável número de afilhados, geralmente filhos de trabalhadores rurais, Tota sempre dedicava muito de seu tempo em ajudar os mais necessitados, fazia feiras constantes para comprar alimentos aos carentes, inicialmente no comércio de Socorro Macêdo, e depois no de seu Zé Pereira, onde se observava que sempre suas contas ficavam a mais do que o esperado, por sempre extrapolar o limite das compras no comparativo a manutenção de sua própria casa e estas ajudas. 

Antonio Fernandes Cordeiro possuía como hobby, o gosto pela leitura, era assinante de jornal e de revistas, tinha em sua casa várias estantes com livros que comprava constantemente, hábito que era observado pelos filhos e pessoas mais próximas. Tinha um óculos para leituras, e sempre que o esquecia em algum lugar por desatenção mesmo assim não ficava sem leitura, pois pedia a sua esposa Stela Maris que lê-se para ele.

Mesmo possuindo pouca escolaridade, era possuidor de muito conhecimento e cultura, que foram sendo adquiridos ao longo de sua vida.  Era um orador nato, fato este, comprovado em um dos congressos que participou em Brasilia. Sendo escolhido pelos seus colegas para representar à Paraíba em seu discurso, Tota dispunha de 10 minutos, porém, com o oportuno discurso que agradou aos presentes lhe foi concebido mais tempo, falou por cerca de 40 minutos, e ao seu término foi muito prestigiado em aplausos por um público de pé.
Seu Tota na velha casa do Camucá, com sua filha Auta Mira, os netos Filipe e Conceição,
e em pé os filhos Teresa e Marcos. Foto de 1982. Fonte: Acervo da Família Fernandes
Antônio Fernandes Cordeiro, data indefinida.
Fonte: Acervo da Família Fernandes.
Antônio Fernandes Cordeiro, em fotografia de 1976.
Fonte: Acervo da Família Fernandes.

Caderno para resolução de problemas utilizado por Antônio Fernandes (Tota).
Com a datação na capa de 2/10/1933. Detalhe para o sobrenome invertido. Fonte: Acervo da Família Fernandes.


Seu Tota com a esposa Stela Maris, no "terreiro" de casa no sítio Lagoa dos
Homens.Fotografia de 1997. Fonte: Acervo da Família Fernandes. 

Deste modo, verificamos a biografia de um homem, que lutava por um ideal, uma causa social, alguém que se compadecia pelo mal estar alheio, qualidade esta que raramente se encontra em sociedades tão egoístas. Antonio Fernandes Cordeiro, ou simplesmente Seu Tota, faleceu aos 13 de novembro de 2000, deixando um legado de amizades e trabalho, assim como boas recordações de sua família, esposa, filhos (as), netos (as), sobretudo por ser um pai e avô muito presente na vida de todos que faziam parte de sua vida.

Após sua morte, o filho Marcos, vice-presidente do sindicato assume o posto, conseguindo se eleger nos anos seguintes.

Tota sentia muita falta de seu pai Luís José, a quem teve grande referencia como homem, aliando essa admiração através da escrita, dentre seus escritos encontramos um dedicado á ele, mas que claramente é lido com o mesmo sentimento do autor, desta vez por seus filhos e pessoas próximas.

I
Meu pai, já que não te vejo.
Fugiste de mim pra eternidade,
Resta-me doar-te uma grinalda,
Como prova de amor e saudade.
II
Foste um exemplo de pai,
Foste amigo sincero e bom,
Já não te vejo em lar,
Mas no céu mereceste do dom.
III
Queria sonhar contigo à noite,
Ver teu semblante iluminado,
Abraçar-te doar-te uma grinalda,
Como prova de amor e saudade.


*Externo meu agradecimento á professora Teresa Cristina Fernandes e a Stela Fernandes Cordeiro, filha e neta, respectivamente, de Antônio Fernandes Cordeiro, pelas informações e facilitação ao acervo fotográfico utilizado

Referência: Zenilda Paida. "Trabalhador Rural". http://www.conteudojuridico.com.br/?artigos&ver=2.36550

sábado, 23 de maio de 2015

Memórias de Araruna: Recordando Maria Celeste Torres


MARIA CELESTE TORRES DA SILVA
Uma das personalidades mais lembradas pelo povo de Araruna e região, é a da senhora Maria Celeste Torres da Silva, conhecida popularmente como Dona Celeste, pessoa simples, carismática, e sobretudo solidária, que deixou sua marca nos quatro cantos do município.

Nascida aos 10 de outubro de 1921, sendo natural de Araruna - PB,  filha do senhor João Alves Torres, oficial de justiça da comarca de Araruna, e da senhora Maria Tecla da Silva, dona de casa. Foi criada em um lar simples ao lado dos irmãos José Torres, Maria do Carmo, Maria das Neves, Iraci e Ceci, tendo convivido por muitos anos no sítio Trapiá do Jiraú, neste município, e posteriormente indo morar na "rua", tendo junto com seu esposo, Francisco Januário da Silva, administrado um comércio no ramo de panificação, que funcionava na Avenida  Antonio Carneiro por longas décadas.

Dona Celeste, sempre teve como característica marcante em sua vida a solidariedade, uma sensibilidade muito forte com as causas dos mais humildes e necessitados, qualidade esta, que pode ter sido motivadora para iniciar sua carreira política, mesmo após ter perdido seu esposo muito jovem, no ano de 1963, não esmoreceu, criou os filhos, José Torres, Eduardo, Luis, Antonio, Rosineide, e os de criação Maria de Fátima e Liliane, e seguiu sua vida de dona de casa, comerciante e mãe zelosa, como uma pessoa simples e discreta, até adentrar na política.

Prefeita Maria Celeste Torres, representando Araruna, em reunião de prefeitos na década de 1980. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.
Militante fiel do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido liderado pelo ex-prefeito, e chefe político na região no curimataú, Benjamim Gomes Maranhão (Seu Beija), recebeu  um convite de se candidatar a vice-prefeita, feito pela filha do mesmo, à jovem Wilma Targino Maranhão, que seria candidata a prefeita pelo partido nas eleições municipais de 1976, uma tarefa difícil, pois o grupo do antigo partido ARENA (Aliança Renovadora Nacional), comandava os destinos de Araruna, a cerca de duas décadas, inclusive no pleito de 1972, o filho de Celeste, Luis Januário Torres da Silva, candidato do MDB, havia sido derrotado por Mentor Carneiro da Fonseca na disputa pela prefeitura.

Celeste aceitou o convite, para manter acesa a chama do MDB ararunense, junto com Wilma, encabeçando a chapa, o partido precisava se restabelecer no município, já que seu líder maior Benjamim Maranhão, estava militando no recém criado município de Cacimba de Dentro. Assim, foram Wilma e Celeste, para a disputa, contra adversários muito fortes e conhecidos do eleitorado local, além de comandarem por cerca de 20 anos a prefeitura, eram os senhores Agenor Targino candidato á prefeito, tendo José Adalberto Targino como seu vice, pelo partido ARENA 1, e Antonio Martins de Sousa, candidato á prefeito, que teve como vice José Torres da Silva, pelo ARENA 2.

Prefeita Celeste Torres, e seu filho Antonio Januário, no centro administrativo Benjamim Gomes Maranhão, sede da prefeitura de Araruna em março de 1985. Foto: Ana Maria Queiroga da Silva
É imperioso destacar, que a simples candidatura de duas mulheres em um cargo de destaque, na década de 70 do século XX, era por si só uma grande demonstração de coragem, e quebramento de estigmas sociais, pois a cultura do patriarcado sempre esteve muito presente na região Nordeste. Mais que isso, a dupla de mulheres conseguiu a façanha de se eleger, contra grupos políticos muito tradicionais e poderosos. Em muito pelo apoio de Beja Maranhão, do eleitor fiel do MDB, mais sobretudo por não terem desistido da eleição, persistido. 

O resultado eleitoral foi o seguinte:
  • MDB: Wilma Targino Maranhão, prefeita; Maria Celeste Torres da Silva, vice prefeita,   3.035 votos, 51,40% dos votos. ELEITAS.
  • ARENA 1: Agenor Targino, prefeito; José Adalberto Targino de Araújo, vice prefeito, 1.875 votos, 31,75% dos votos. Não eleitos.
  • ARENA 2: Antonio Martins de Sousa, prefeito; José Torres da Silva, vice prefeito, 995 votos, 16, 85% dos votos. Não Eleitos.
As duas mulheres haviam então, conseguido derrotar os quatro homens. Wilma Maranhão, assume como prefeita, tendo Celeste Torres sua vice, com mandato de 1977 á 1982, gestão que até hoje rende críticas positivas á administração, pela maneira em que foi realizado o mandato, sendo oposição ao governo estadual e federal, contando apenas com recursos próprios. 

Em 1982, a própria então vice prefeita, Dona Celeste, acabou se tornando a candidata natural do partido, agora PMDB, por seu carisma partidário e perante a população, acabou sendo eleita, para um mandato de 6 anos, derrotando o candidato do PDS (Partido Democrático Social), Antonio Fialho Moreira.
  • PMDB: Maria Celeste Torres da Silva, prefeita; Paulo Odon de Macedo, vice prefeito, 3.423, 51,29% dos votos. Eleitos.
  • PDS: Antonio Fialho Moreira; prefeito; Antonio Martins de Sousa, vice prefeito, 3.193 votos, 47,84%. Não eleitos.
Foi sobretudo em seu mandato como prefeita, que Dona Celeste conseguiu ampliar seu carisma perante a população, pois como pessoa de modos simples, sem muito estudo, entendia a linguagem popular, e agia combatendo os principais problemas da população mais carente.

Posse da Prefeita Eleita Maria Celeste Torres da Silva, presentes Wilma Targino Maranhão, sua filha Olenka, Sebastião Anterio, Antonio Januário Torres da Silva, Paulo Odon de Macedo, vice prefeito. Fotografia de 1983. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.

Dentre as ações da Administração da prefeita Maria Celeste Torres, destacamos as seguintes:
  1. Preocupação com o pagamento da carteira dos funcionários municipais perante o INSS;
  2. Reforma e ampliação do Grupo Escolar João Moreira Soares;
  3. Construção da Escola Municipal João Alves Torres;
  4. Construção do Grupo Escolar, e inicio de construção de Posto de Saúde em Mata Velha;
  5. Construção de Posto Telefônico de Mata Velha;
  6. Construção da Creche Maria Tecla da Silva;
  7. Construção de Creche em Carnaúba;
  8. Construção de Grupo Escolar no Sitio Camucá;
  9. Construção do Grupo Escolar Monsenhor Cavalcante de Miranda; 
  10. Abertura da Avenida Semeão Leal, no encontro com a rua Bulhões de Carvalho;
  11. Alargamento da rua João Pessoa na popular " Rua da Palha", assim como calçamento de todas as ruas inerentes a este espaço;
  12. Construção do Centro de Convivência dos idosos, em proximidade ao cemitério São João Batista;
  13. Construção do Centro Escolar de  Lagoa de Fora, um antigo sonho seu;
  14. Campanha de distribuição de enxovais as mulheres grávidas;
  15. Campanha de distribuição de filtros;
  16. Iluminação na zona rural, sítio Macapá;
  17. Doação de terreno onde foi construído o presidio da cidade;
  18. Apoio a Banda  de Música "12 de Agosto", com manutenção de fardamento e instrumentos;
  19. Apoio ás práticas esportivas como torneios de futebol, maratonas;
  20. Convênio com o Hospital e Maternidade Maria Júlia Maranhão;
  21. Convênio com a Universidade Federal da Paraíba, nos cursos de Medicina e Odontologia, que enviavam seus estagiários á Araruna;
  22. Implantação do Transporte aos universitários de Araruna em outros municípios, sobretudo Guarabira;
  23. Construção de Posto Telefônico da antiga TELPA (Telefonia da Paraíba), no distrito de Riachão de Araruna;
  24. Calçamento em várias ruas no distrito de Riachão.

Wilma Maranhão, Celeste Torres, Ana Maria, em missa presidida pelo Monsenhor Joaquim.
Fotografia de julho de 1985. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.
Prefeita Celeste Torres, entre outros Manoel Paulino, João Vasco, Almir Carneiro da Fonseca, Professor Raimundinho.
Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.
Prefeita Celeste Torres em barraca representativa de Araruna, na feira dos municípios, em João Pessoa.
Década de 1980. Fonte: Ana Maria Queiroga. 

"ARARUNA - a rainha do feijão", representação do município na Feira dos Municípios na capital João Pessoa. Final da década de 1980. Fonte: Ana Maria Queiroga.
Prefeita Celeste Torres em comemoração de carnaval com jovens de Araruna,
 usando seu tradicional xale. Foto: Ana Maria Queiroga da Silva.
Wilma Maranhão, Glauce Burity (primeira dama do estado) e Celeste Torres, no clube 14 de Julho,
 em fevereiro de 1988. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva. 
Wilma Targino Maranhão, Marluce Fonseca e Celeste Torres em inauguração de
grupo escolar na zona rural. Fonte: Ana Maria Queiroga.
Campanha eleitoral de 1988, com o "Retorno de Wilma", entre os presentes Celeste Torres, Zé Bernardino, Zé Pereira e outros. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva. 
Maria Celeste Torres e Wilma Maranhão inaugurando instalação de posto telefônico no distrito de Riachão,
 presente  Gervásio Bezerra Maia, responsável pela TELPA - PB no período. Década de 1980. Fonte: Ana  Maria Queiroga.
Comício do PMDB durante as eleições de 1988. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.

Abraço de Wilma e Celeste, durante comício nas eleições de 1988. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.
Missa em comemoração a emancipação política de Araruna, entre outros, Dona Celeste, Wilma Maranhão,
Lourdinha Odon. Década de 1980. Fonte: Ana Maria Queiroga.
Prefeita Celeste Torres entregando título de Cidadão Ararunense ao Monsenhor Joaquim de Sousa Simões.
Década de 1980. Fonte: Ana Maria Queiroga.
Dona Celeste em frente sua residencia, entre outros Salva Dutra, Wilma Maranhão, Valdir Bezerra.
Foto: Ana Maria Queiroga.
Celeste Torres durante visita do governador interino Almir Carneiro da Fonseca, filho de Araruna, entre outros, Mentor Carneiro da Fonseca, Wilma Maranhão e Sebastião Antério. Década de 1980. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.

Muitas foram as realizações da gestão de Dona Celeste, sendo a principal a construção da maior escola do município, o João Alves Torres, que possui a maior quantidade de alunos, tendo recebido grande apoio posterior na década de 1990, da gestão do prefeito Benjamin Maranhão Neto, e do governador José Maranhão, no que tange á expansão de sua infra-estrutura. 

Prefeita Celeste Torres distribuindo enxovais á gestantes do município, entre outros,
 sua nora  Ana Maria. Década de 1980. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.

Campanha de distribuição de filtros. Década de 1980. Foto: Ana Maria Queiroga da Silva.

Porém, sem sombra de duvidas, onde a marca de Dona Celeste mais se faz presente é na área social, sendo considerada por muitos uma verdadeira "mãe da pobreza", pela dedicação com os mais humildes, sobretudo os da zona rural, aspecto de sua vida que não se deve associar somente por sua vida pública, mas por sua grande bondade, pois antes de se tornar vice-prefeita e prefeita, e após seus mandatos, Celeste nunca fechou as portas de sua casa para a população mais carente de Araruna. 

Além do filho Luis Januário Torres, que se candidatou a prefeitura local duas vezes, outros filhos de Dona Celeste se candidataram a cargos legislativos no município, como José Torres (2 mandatos), Maria de Fátima (1 mandato), Antonio Januário Torres da Silva "Toinho Jacinto" (1 mandato), além da nora Ana Maria Queiroga (1 mandato). Fora isto, Celeste Torres é tia do ex-deputado e atual prefeito de Guarabira Zenóbio Toscano, filho de sua irmã Maria do Carmo.

Dona Celeste gostava muito de se reunir com as amigas em sua casa, na Avenida Epitácio Pessoa, sobretudo durantes os jantares, onde conversavam sobre o cotidiano, possuiu uma quantidade incontável de afilhados, passavam dos 1 mil! Teve um final de vida, caseiro e discreto, mas sempre rodeado de pessoas amigas e dos mais carentes, á quem sempre teve destacada atenção.

Casamento de Fabiana, neta de Celeste, com Carlos, durante a década de 1980. Fonte: Carlos Suzuky
Faleceu na madrugada do dia 17 de julho de 1994, vítima de um infarto fulminante, mesmo dia em que a Seleção Brasileira de Futebol conquistava seu Tetra campeonato nos Estados Unidos. Durante as horas difíceis do infarto ainda se tentou socorrê-la, encaminhado-a para o hospital da cidade,  pedindo carona ao primeiro carro que aparecesse na rua, por ventura o do senhor Raul da Costa Câmara, porém sem êxito, Dona Celeste falece. Seu velório ainda é lembrado por muitos, como um grande acontecimento da cidade, mediante a enorme multidão que veio acompanhar, prestando assim as ultimas despedidas.

Maria Celeste Torres da Silva deixa como legado algo muito além das ações administrativas, mas uma bondade e uma solidariedade somente vistas em poucas pessoas, certamente incluída em bons momentos das memórias ararunenses, e nas saudades dos filhos, netos, genros, noras, e principalmente na lembrança dos mais necessitados, a quem nunca nunca se recusou em ajudar.

* Meu agradecimento ao filho de Dona Celeste Torres, Antônio Januário Torres da Silva, popular Toinho Jacinto pelas informações que transmitiu, e a sua esposa, Ana Maria Queiroga da Silva, pelo acervo fotográfico. 

WELLINGTON RAFAEL





quinta-feira, 10 de julho de 2014

ARARUNA - 138 Anos de Emancipação Política
























                                                                                                               ARARUNA completa hoje 138 anos de emancipação política, data esta que se junta ao somatório de páginas que formam a rica história deste município, que é sem sombra de dúvidas dos mais importantes do Agreste Paraibano, e de onde se pode ter orgulho de viver, morar e conhecer, para poder então refletir a cerca de seu passado e caminhar em passos firmes, para um bom futuro.  

Parte desta rica história é conhecida, através das pesquisas e dos resultados decorrentes de fatos marcantes em nossa história, já outras são esquecidas ou deixadas de lado, talvez por maldade, talvez pelo próprio desconhecimento de uma identidade apagada. Deve ser ressaltada que mesmo antes da emancipação do município, a nomenclatura "Araruna" já existia, pois a famosa Serra de Araruna como lugar geográfico despertava a atenção pela imponência de seu relevo, que representa o início do Planalto da Borborema em sua escarpa oriental.  
Serra de Araruna e PB-111 na rodovia que liga Araruna á Tacima, e a esquerda Serra da Confusão.
Partindo deste principio de territorialidade, deve-se começar falando dos nossos primeiros habitantes que foram os indígenas, se supões que fossem os índios Janduís e os Caracarás, que ocupavam trechos entre os rios Curimataú e Trairi, de onde durante suas passagens deixaram muitos vestígios, dentre eles destacam-se as inscrições rupestres encontradas na Pedra do Letreiro, no Parque Estadual da Pedra da Boca, neste município. A própria denominação do município “Araruna” advém do idioma indígena (tupi) “A’rara una”, significando “Arara Negra”, decorrente do fato de existirem naquela época, muitas dessas araras (Anadorhynchus hyacinthinus) (Lath.), que embora do significado do nome, distinguem-se pela plumagem azul escuro, que vistas à distância pareciam negras. Sabe-se que muitos territórios onde se encontram os atuais municípios de Araruna, Cacimba de Dentro, Tacima, Riachão, Damião, além de muitos lotes de terra na região do brejo paraibano pertenciam ao Barão de Araruna, Estevão José da Rocha, mesmo antes do advento da emancipação municipal.

Anadorhynchus hyacinthinus ou Arara Azul Grande, ave que deu origem a denominação do município Araruna representada também na bandeira e no brasão municipal.
A fundação do povoado de Araruna se deu por meados de 1845, onde destacamos a atual igrejinha de Santo Antônio (Antiga Matriz)  construída pela população local devido a uma necessidade social, pois desde 1830, um padre vinha de Bananeiras prestar serviços religiosos em torno da qual surgem as primeiras casas. A historiografia  ararunense atribui a construção da igrejinha ao senhor Feliciano Soares do Nascimento, habitante em Jacú de órfãos no Rio Grande do Norte, que teria construído uma capela para cumprir uma promessa a Nossa Senhora da Conceição pela cura de um irmão, o mesmo contou certamente com ajuda de possíveis vaqueiros e trabalhadores rurais em geral, que foram muito corajosos de migrarem de suas antigas habitações para se instalar nesta localidade ao redor da capela, e assim ajudarem a formar as raízes da população ararunense.

Igrejinha de Santo Antonio, onde em seu redor começaram os primeiros indícios de urbanização. 
Durante este período essa população que em Araruna se encontrava, era quase que totalmente desassistida de serviços essenciais como educação e saúde, decorrente do fato do próprio isolamento da serra de altitude elevada e longínqua de outros núcleos urbanos, como a própria distancia da então vila á sede do município de Bananeiras-PB,  atendendo a reivindicações e apelos de décadas, Flávio Clementino da Silva Freire, Vice-Presidente da Província da Parahyba do Norte, aos 4 de julho de 1854, cria com a lei nº 25 a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Serra de Araruna, passo importante para sua emancipação posterior que viria aos 10 de julho de 1876 sancionada pelo Presidente da Província da Parahyba do Norte o senhor Barão de Mamanguape através da  Lei nº 616. Neste mesmo ano são iniciados os trabalhos de construção da nova Igreja Matriz da cidade, que viria a ser encerrada no ano de 1907, com a construção da fachada e acabamentos internos. 

Santuário de Nossa Senhora da Conceição. Foto: Paróquia de Araruna, 2012.
Á partir daí o município de Araruna conseguiu se firmar e trilhar diversas conquistas em sua história, através de vários eventos que a tornaram cada vez mais forte e reconhecida na microrregião do Curimataú e redondezas potiguares, fortalecendo sua economia como um todo, pois se tinha um espaço mais adequado que suportasse a demanda do nosso comercio, onde Araruna se destacava como maior produtora de feijão do estado da Paraíba. Araruna possuía enfim um aspecto urbano que se desenhava e se consolidava cada vez mais, e se firmou principalmente em 1908 com a construção de seu primeiro Mercado Público (atual Centro Cultural) desativado em 1967, e com a construção de um Novo Mercado no mesmo ano. Durante o século XX é interessante se destacar desmembramentos de distritos provenientes de Araruna, dois em 1959: Cacimba de Dentro e Tacima; e Riachão  em 1994.

Velho Mercado Público, construído entre 1908 e 1909, atual Centro Cultural.
Praça João Pessoa no centro da cidade em 2011.
Mais recentemente pode-se considerar como novo evento desenvolvimentista e transformador da paisagem urbana de nosso município a construção e instalação do campus VIII da Universidade Estadual da Paraíba no ano de 2010, construído e instalado pelo Governador José Targino Maranhão, filho da terra, onde mais que uma construção de pedra e melhoria de renda e fortalecimento da economia da cidade, pode se considerar o maior presente que nosso município e região poderiam receber, onde muitas vezes o pequeno agricultor, uma dona de casa, uma artesã, ou pessoas inseridas em classes sociais menos privilegiadas no geral, não dispunham de condições necessárias para estudarem ou inserir seus filhos no mundo acadêmico, acabando sempre na maioria das vezes a margem dos benefícios que o conhecimento adquirido em grau superior possa acarretar, a mudança da mentalidade deste povo é com certeza o maior presente que a UEPB dará a Araruna.

UEPB Campus VIII Araruna, construído em 2001, inaugurado em 2010 pelo Governador José Maranhão.
Núcleo Urbano de Araruna, destacando seu crescimento e Parque Pedra da Boca ao fundo. Foto: Ivan Rocha, 2012.
Araruna é certamente um dos municípios mais conhecidos no estado da Paraíba, sendo cidade polarizadora na Microrregião do Curimataú Oriental Paraibano, apresentando uma população estimada em 20.009 habitantes segundo o IBGE/2014, sendo atualmente um dos municípios que mais cresceram nos últimos 5 anos no interior do estado, seja pela quantidade de construções ou investimentos públicos e privados. Além disto Araruna, é bastante conhecido por outros fatores, seja pela fama de seu clima frio e ameno, que se distingui do quadro geral desta região se tornando uma ilha de clima ameno em pleno semi-árido, pois está inserida numa altitude de cerca de 590 metros acima do nível do mar, distando a cerca de 165 km da capital João Pessoa, 110 km de Campina Grande e 120 km de Natal capital do Rio Grande do Norte, apresenta bucólicas paisagens naturais, tais como as belas serras da Araruna e da Confusão, e do Parque Estadual da Pedra da Boca inserido neste município, pelo seu clima ameno a maior parte do ano, por nossos tradicionais eventos como o consagrado São João na Serra, Festival de Inverno e Festa da Padroeira de Nossa Senhora da Conceição.

Araruna inserida no mapa rodoviário paraibano, tendo como principal rodovia a PB - 111. Fonte: Governo do Estado da Paraíba, 2012.
Pedra da Boca, ponto turístico mais famoso do município, inserido no parque estadual de mesmo nome.

Araruna se destaca também através de seus filhos ilustres, que sobressaíram em cenário estadual e alguns até nacional, como os poetas Antonio Joaquim Pereira da Siva (1876 - 1944) membro da Academia Brasileira de Letras e Peryllo D’Oliveira (1898 - 1930) membro da Academia Paraibana de Letras; José Targino Pereira da Costa (1893 - 1987) ex-secretário de Agricultura e ex-governador da Paraíba; José Targino Maranhão, ex-senador e governador da Paraíba por três mandatos; Almir Carneiro da Fonseca, desembargador; Manuel Paulino da Luz, desembargador; José Adalberto Targino, procurador e presidente da Academia Norte-riograndense de Letras; Rogério Fialho Moreira, desembargador; Humberto Fonseca de Lucena, bioquímico e pesquisador; Olenka Targino Maranhão deputada estadual; Benjamin Gomes Maranhão Neto, deputado federal; Vital da Costa Araújo, subsecretário de segurança pública e deputado estadual e nossa atual prefeita a Srª Wilma Targino Maranhão ex-presidente do CENDAC-PB e prefeita por quatro mandatos deste município.

Brasão de Araruna instituído em 2009 e a bandeira municipal instituta em 1977.

Porém, Araruna ao longo de seus 138 anos de história pode ter certeza do bom sentimento de seus habitantes, sobretudo a população mais carente, que sempre de forma brava e às vezes inconsciente, ajudando ao longo destes mais de 138 anos, de luta e  garra, e que mesmo oprimida diante de sistemas socialmente injustos e impostos sempre acreditaram em sua capacidade e sempre caminharam com passos de esperança, mesmo expostos as crueldades e ganâncias dos nossos coronéis de hoje e de outrora, tornando nosso município mais rico e mais bonito a cada dia, do qual foi descrito modestamente neste nosso trabalho, diante da tamanha riqueza de conteúdos do universo Araruna.  

Enfim minhas felicitações, a esta cidade que é a princesa do Curimataú paraibano, através de versos simples de um ararunense já finado, mais que nos fala com amor e orgulho de ser de Araruna.

"Você canta sua terra,
Também vou cantar a minha,
Que fica no topo da serra,
E tem porte de Rainha!”. (velho Borges)

PARABÉNS ARARUNA PELOS SEUS 138 ANOS DE HISTÓRIA DE LUTAS E VITÓRIAS!


Referências:

LUCENA, Humberto Fonsêca de. O Velho Mercado de Araruna e seus Arredores. João Pessoa, Empório dos livros. 1996.
SILVA, Wellington Rafael da. Desenvolvimento urbano e regional da/na Cidade de Araruna - PB.Guarabira - PB, UEPB, 2010.
SILVA, Wellington Rafael da. Análise das transformações do espaço urbano na cidade de Araruna - PB, da Fundação do povoado a 1967. Guarabira - PB, UEPB, 2012.

domingo, 30 de março de 2014

A Fazenda Maquiné - Patrimônio histórico e cultural de Araruna

Aspecto da Fazenda Maquiné, com o Casarão e Capela. Foto: Wellington Rafael da Silva, 2014.
Distante a poucos quilômetros (2), da sede da cidade de Araruna, encontramos um lugar bucólico, de paisagens naturais bonitas e uma riqueza cultural surpreendente, nos referimos a Fazenda Maquiné, um verdadeiro tesouro de riqueza histórica do município. A Fazenda Maquiné se encontra onde havia antes um engenho de mesmo nome "Engenho Maquiné", de propriedade do famoso Targino Pereira da Costa, patriarca da Família Targino, falecido em 30 de agosto de 1887, membro da primeira Câmara de Vereadores.

O Maquiné representa um belo conjunto histórico arquitetônico constituído pela casa-grande capela, armazém,senzala e casa dos moradores, sendo esta capela a edificação mais antiga da fazenda, herdada por Dona Jesuína Paula d'Assunpção, cabendo ao seu filho Francisco Targino da Costa, que se ordenara padre o gesto da construção da capela em 1897, que tem como santos padroeiros Nossa Senhora do Bom Socorro e São Francisco de Assis. Cabe-se ressaltar que este padre, popularmente conhecido por Padre Targino, foi vigário da Paróquia de Araruna entre 1906 e 1919. 

Casarão da fazenda Maquiné
Sobre este fato trazemos reprodução feita por Humberto Fonseca de Lucena, em seu livro "A Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Serra de Araruna" em 2000, anotações feitas pelo próprio Padre Targino em punhos de eminente valor histórico:  

Aos onze de Março de 1897, às 10 horas da manhã, de licença do Exmo Sr. Bispo Diocesano, fiz a bênção da 1ª pedra da Capela de N. Senhora do Bom Socorro e de S. Francisco d'Assis, neste Engenho do Maquiné, perante as testemunhas as Exmas Senhoras Donas Jesuína Paula d'Assumpção, Maria Amavel Targino Baracuhy, Guilhermina Targino, Benecdita Targino, Rosa Targino, Ignacia Targino, Paulina Targino, Joana Elvira Targino, Anna Angelina Targino, Anna Lyluiosa; os protetores perpétuos = Padre Francisco Targino Pereira da Costa, Targino Pereira da Costa e Pedro Targino Pereira da Costa; os paraninfos - Coronel Francisco Duarte dos Santos, Targino Pereira Neto, Joaquim da Silva Barboza Junior, Manoel Belmont, João Theodosio, Henrique Pereira da Costa, Pedro Moreira d'Alcântara, Augusto Belmont, José Pereira da Costa, Anolino Pereira da Costa, Luiz Pereira da Costa, João Pereira de Sá Serrão, João Baptista d'Andrade, João Gomes do Nascimento Lyra, João Horácio Fernandes Bezerra, Ildelfonso José Fernandes, Pedro Assendino da Costa Teixeira, João Gomes d'Oliveira Francisco Garcia da Silva e Felizberto.

Do que faço este termo.
Maquiné, 11 de março de 1897
Pe. Francisco Targino Pereira da Costa

Padre Francisco Targino Pereira da Costa, vigário da Paróquia de Araruna entre 1906 e 1919.
Fotografia do século XIX. Fonte: Humberto Fonseca de Lucena.
Capela da Fazenda Maquiné, dedicada a N. Senhora do Bom Socorro e a São Francisco de Assis.
Foto: Wellington Rafael da Silva, 2014.
Frontão triangular da capela dedicada a Nossa Senhora do Bom Socorro e São Francisco de Assis.
Foto: Wellington Rafael, 2014.
Interior da capela com destaque para o altar, 2014. Foto: Acervo pessoal de Wellington Rafael
Ainda que em mal estado de conservação, a capela da fazenda ainda é a mais bela das capelinhas do município, seja por seu charme, pelas suas características neoclássicas, refletindo no seu estilo barroco rural, como nos seus arcos ogivais de neogótico, além de um frontão triangular. O casarão da fazenda encontra-se com a fachada em estado razoável de conservação, seguindo imponente como vigoroso testemunho dos séculos, aos que visitam o local, o mesmo não pode-se dizer de seu interior, onde algumas paredes apresentam sérias rachaduras, estando o seu sótão caído parcialmente há alguns anos, encontramos o interior do casarão em estado deplorável, digno de dó, sofrendo muitas vezes invasões de pessoas má intencionadas que realizam vez ou outra algum ato de vandalismo no local, diante de tantos imbróglios a resistência do casarão é surpreendente.

Infelizmente a antiga Fazenda Maquiné carece de um plano de políticas públicas, voltadas à preservação do patrimônio histórico, visando tombamento e restauração das edificações, que serviriam de ação para a implantação e efetivação de mais uma ramificação e atração turística para o município, onde o turismo histórico, rural, religioso e cultural se enquadrariam perfeitamente em seus espaços, trazendo nova utilidade para o esquecido Maquiné, ao invés disso, temos como visitantes apenas os marimbondos e morcegos que infestam o local.

Visão frontal do alto da fachada do casarão da Fazenda Maquiné. Foto: Wellington Rafael da Silva, 2014.
Fachada frontal do casarão trazendo a sua data de sua fundação "1897". Foto: Wellington Rafael, 2014.
Lateral direita do casarão da fazenda. Foto: Wellington Rafael, 2014.
Lateral esquerda do casarão da fazenda. Foto: Wellington Rafael, 2014.

O antigo Maquiné era o local das reuniões dos famosos "barões de Araruna", que eram a classe mais abastada da cidade, a chamada "nata" da sociedade ararunense á época. Contam os mais antigos que na fazenda existia escravidão, embora não se possa mais encontrar no interior da casa-grande instrumentos de tortura removidos pelos herdeiros descendentes que se desfizeram deles no decorrer do tempo.

Por conta do abandono e por não haver a várias décadas pessoas habitando no casarão, criaram-se diversas histórias de assombrações que circundam o local, onde se falam que existiria por perto nos arredores da fazenda um antigo cemitério, e que as almas dos mortos assombram a fazenda.  Ronaldo Targino Moreira, familiar dos proprietários, nos conta sobre uma história de que todos os primogênitos nascidos no casarão tendiam a morrerem na infância, e que este fato se repetiu por diversas vezes, seja por coincidência ou maldição e isto causou o afastamento dos moradores do lugar.

Porta de entrada do casarão a sua direita, destacando outros cômodos.
Foto: Wellington Rafael. 2014.
Interior do casarão. Foto: Wellington Rafael, 2014.
Janelas frontais em estado avançado de deterioramento, vista no interior do casarão.
Foto: Wellington Rafael da Silva, 2014.
Aspecto deteriorado da parte superior do casarão, onde desabou parcialmente o sótão.
Foto: Wellington Rafael, 2014.
Escadaria que dá acesso ao sótão. Foto: Wellington Rafael da Silva, 2014.
Aspeto interno do interior do casarão. Foto: Wellington Rafael da Silva, 2014.
Antigo local utilizado para descaroçamento de algodão. Foto: Wellington Rafael, 2014.

Antigo banheiro em cima de um lajeiro, 2013. Foto: Wellington Rafael da Silva, 2014.
Atualmente a fazenda está em nome de propriedade pertencente ao Sr. Durval Falcão, esposo da Srª Maud Targino Falcão, bisneta do patriarca do clã  Targino Pereira da Costa, e irmã da Srª Maura Targino Moreira, ex-prefeita do município, e que por pertencer a propriedade particular encontravam resistência quanto a tombamento e reforma das edificações, e nem apresentam interesse próprio em sua preservação a deixando relegada ao relento. Embora, recentemente a família demonstrou interesse em realizar um comodato visando restauração da capela da fazenda, juntamente com a Paróquia de Araruna, através do Pe. João Firmo, já para as festividades dos 160 anos da paróquia este ano.

Fazenda Maquiné e toda sua beleza destacada em fotografia de Arthur Ribeiro em 2009.
Torçamos que este empreendimento de restauro da capela dê certo, e que possivelmente sirva de estimulo para o tombamento e restauro total também do casarão, pois a situação em que ele se encontra com paredes rachadas, sótão em pleno estágio de desabamento total, possa talvez não aguentar as possíveis fortes chuvas dos próximos anos, que sejam tomadas medidas que salvem este patrimônio de grande importância no município. 

Wellington Rafael

Referência: 
LUCENA, H.F. A Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Serra de Araruna, 2000. João Pessoa - PB. A União, 189 páginas.