quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Brasão de Araruna recebe atualização

                     Foi publicado no Diário Oficial de Araruna no dia 06 de outubro de 2017, projeto de lei sobre a atualização do Brasão de Armas do município, o mesmo já havia sido aprovado em agosto pela Câmara Municipal, atendendo pedido feito por Wellington Rafael, da Gerência de Cultura e Artes e do Conselho Municipal de Cultura.
            Esta discussão foi antes avaliada e aprovada no conselho que representa vários segmentos da sociedade, encaminhando, após isto, a proposta para o vereador Antônio Jefferson Targino, que a apresentou para analise do poder legislativo, contando com parecer favorável da Comissão Permanente de Finanças, Justiça e Legislação sob relatoria do vereador Rodolfo Cordeiro.
Publicação no diário oficial: https://www.araruna.pb.gov.br/diario-oficial/diario-oficial-949874788/

Sobre a retificação:
            O Brasão de Araruna originalmente foi adotado em 1989, como símbolo municipal, tendo passado por modificação valiosa em 2009.
            O mesmo apresenta: a denominação ARARUNA; uma arara; uma serra simbolizando a Serra de Araruna; ramos de café e de feijão simbolizando a economia; a data de emancipação política 10 de Julho de 1876; raios solares de fundo; um livro com as iniciais “P” e “S”; representando o imortal Pereira da Silva.

            Foram pedidas as seguintes modificações:

            Arara: A origem do nome Araruna, segundo o pesquisador Humberto Fonseca de Lucena, deriva da língua tupi A’rara Una, significando arara preta, que seriam da espécie Anodorhynchus hyacinthinus (lath.), da cor azul escuro, que vistas à distância pareciam negras. Portanto, a arara do brasão teria sua coloração escurecida, de azul claro para azul escuro.

            Monumento natural: O atual brasão apresenta uma serra pontiaguda estilizada, na cor verde, que difere da realidade, onde a Serra de Araruna inicio da porção norte do Planalto da Borborema, apresenta em seu topo uma chã plana, diferente da representação do brasão. Portando, se apresenta o pedido de alteração desta serra pontiaguda estilizada pelo afloramento rochoso denominado Pedra da Boca, que faz parte do parque estadual de mesmo nome, sendo este integrante do patrimônio natural do município, e portanto, parte de nossos símbolos municipais.
         A Arte gráfica do brasão retificado foi feita por Allan Jefferson, da agência Sincronia, na própria cidade de Araruna.
            Segundo o gerente de Cultura e Artes de Araruna, Prof. Wellington Rafael, após agradecer a aprovação do pedido:
           
 “O objetivo destas retificações está no fortalecimento de nossa história, cultura e valores, sendo nosso brasão, bandeira e hino, instrumentos muitos sérios de representação da identidade do povo ararunense, onde a arara cor clara e a serra pontiaguda não nos representariam, sendo estes substituídos pela arara escura e a Pedra da Boca. Onde o brasão deverá após sua aprovação, permanecer sem novas alterações”.



Brasão de Araruna em sua criação em 1989, sua renovação em 2009 e retificação em 2017.



Por: Wellington Rafael

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Memórias de Araruna: Recordando o Major Pedro Targino

Major Pedro Targino Pereira da Costa com fardão da Guarda Nacional.
Fotografia do final do século XIX.Fonte: Humberto Fonsêca de Lucena.
Pedro Targino Pereira da Costa (1860 aprox./1947) nasceu, residiu e morreu em Araruna/PB,  filho do casal Targino Pereira da Costa e Dona Jesuína Paula da Assumpção. É figura bastante lembrada no Curimataú paraibano, mediante sua liderança política.

Teve os irmãos Martiniano e Mariquinha, filhos do primeiro casamento da mãe; O casal Targino e Jesuína tiveram 11 (onze) filhos: Bernardina, Henrique, Francisco, Rosa Leopoldina, Paulina, Joana Elvira, Guilhermina, Pedro, Marianna, Júlia e Targino.  Sendo Pedro, o oitavo filho.

Foi casado duas vezes, a primeira com Dona Benedita Faustino Pereira da Costa ( Dona Dita) que veio a falecer em 1917, irmã de Francisco Antônio da Fonseca (pai de Abelardo T. da Fonsêca e irmãos); casado pela segunda vez com D. Ritinha. Em nenhum dos consórcios houve descendência.

Seu pai, o patriarca Targino Pereira da Costa, proprietário do Engenho Maquiné, foi membro eleito da primeira Câmara Municipal em 11 de julho de 1877, tendo recebido deste o traquejo político. Com o falecimento do seu genitor em 1887, é passado o bastão de liderança política local aos seus filhos mais atuantes na política, o Major Pedro Targino conseguia se sobressair como chefe do clã, mesmo sendo um dos filhos mais jovens e dividindo liderança com o irmão mais novo Targino Pereira da Costa (Coronel Gino) e  Francisco Targino Pereira da Costa (Pe. Targino). 

Registro históricos de lideranças políticas do Curimataú e Seridó Paraibanos. Pedro Viana (Cuité), Major Pedro Targino (Araruna) e Pedro Ortins (Picuí). Fotografia possível da década e 1940. Fonte: Jairo Macêdo.
Sobre o domínio dos Targino em um século de liderança em Araruna, a historiadora Zilma Ferreira Pinto nos diz: "Os Targino de Araruna, provenientes dos Pereira da Costa, têm escrito a história política do Município. Vêm dos primeiros tempos do povoado, em plena Monarquia; já na pessoa do Targino Pereira da Costa, então se auto-afirmando como representante do Partido Liberal, e do grupo opositor aos Bezerra Cavalcanti." (pg. 35, 2002).                                                    

O Major Pedro Targino era conhecido como uma figura autoritária, típica dos patriarcas políticos que dominavam as cenas oligárquicas dos municípios brasileiros, o mesmo é bastante recordado pelo seu forte senso de família, onde o sangue do clã Targino recebia do mesmo uma especial atenção. Era o conciliador, geralmente quando haviam alguns problemas era Pedro o procurado. Arranjava casamentos, conciliava casais e acolhia os separados, contribuía com o apoio financeiro, para tudo arranjava uma maneira de resolver. Por isso, o seu irmão Padre Targino o colocou a alcunha de "Pedro Arranjo". 

A riqueza do Major Pedro juntamente com o da família Targino em geral era tão alta, que mereceu destaque em registro feito por Lyra Tavares a cerca da economia de Araruna: "As principais fortunas são avaliadas em 2000 contos, sendo de mil contos a dos Targino, e igual soma dividida entre diversos".

Ruínas da Casa-Grande do antigo Engenho Maquiné, construído em 1897. Foto: Wellington Rafael da Silva.
Interessante se imaginar as figuras do Major Pedro e do Coronel Gino, como lideranças fidedignas do coronelismo desta região serrana, onde mesmo casados, dividiam  o senhorio da casa-grande do Engenho Maquiné e os destinos de Araruna. 

Após ter residido por algum tempo no Engenho Maquiné, o Major Pedro foi morar num casarão na localidade conhecida como Limão,  eram famosas as festividades do mês de junho, na data de São Pedro, onde ocorria grandes festas, pessoas dos mais diversos lugares do município iam se confraternizar. Lamentável destacar, a destruição deste casarão histórico no Limão, na década de 1990, por diversas pessoas que faziam parte dos movimento de luta por terras e reforma agrária. Perdemos assim um valioso testemunho da história do município. 

O Major Pedro em diversas ocasiões recepcionava também as pessoas no casarão da rua Velha (Atual Antônio Pessoa), onde neste lugar aconteciam bailes, as tertúlias, eventos familiares, cívicos e políticos, assim como a festa de São João com quadrilha ensaiada, brincadeiras de salão e casamento matuto. O próprio Major Pedro, chefe do clã, vindo da fazenda, ficava no casarão; quando a sua presença se fazia necessária nos citados eventos. Ele que a tudo determinava e presidia. 

Sobre a postura de Pedro ainda é dito: "Era o major um homem de postura fidalga. Mesmo idoso mantinha-se esguio e elegante. Vestia-se com esmero, nunca dispensando o colete e paletó. Perfeito anfitrião, em quaisquer reuniões, recebia cortesmente familiares e demais convidados, a tudo dando atenção e conduzindo a festa".

Antigo casarão do Coronel Gino, na chamada Rua Velha, atual Antônio Pessoa. Foto: Wellington Rafael da Silva.
Capitão da Guarda Nacional, trajando
farda do fim do século XIX.
Fonte: Henrique Castro
Imperioso se destacar que a família Targino no inicio do século XX, gozava de grande prestigio no município, e com a participação dos mesmos juntamente com José Amâncio Ramalho á frente da construção do Velho Mercado, conseguiram chegar onde desejavam, com a nomeação de Pedro Targino da Costa para ocupar o cargo de prefeito municipal,  indicado pelo presidente João Machado da província da Paraíba. Ocupando assim, o Major Pedro o cargo de alcaide de Araruna de 1909 á 1921 (!), além de posteriormente se tornar Deputado Estadual. 

Araruna assim, se via totalmente dominada pelo coronelismo da família Targino, pois contava com o Major Pedro na Prefeitura, Coronel Gino no Conselho Municipal e o Padre Targino á frente da paróquia. Além disto, Pedro Targino foi integrante da chamada "Guarda Nacional" que foi criada em agosto de 1831, com o propósito de defender a constituição, a integridade, a liberdade e a independência do império brasileiro. Este seleto grupo era composto somente por brasileiros de 21 a 60 aos, que gozassem de amplos direitos políticos, sendo excluído qualquer pessoa que fosse oriunda das classes populares.

De acordo com documento encontrado no Centro de Documentação Cel. João Pimentel em Guarabira-PB:
"Fica claro os interesses dos dirigentes do império, que a maioria dos senhores proprietários de terras, detentores de poder econômico, compravam seus títulos de coronéis, junto ao Estado brasileiro". Isto favoreceu que muitos proprietários de terras adquirissem patentes e formassem milícias. 

Na prática, os detentores de títulos da Guarda Nacional representavam uma situação histórica de abuso das instituições públicas para fins estritamente particulares, onde os "coronéis" valiam-se de suas tropas armadas para preservar seus interesses econômicos e político pessoais. 

O Major Pedro Targino seja por toda força política e influência dos Pereira da Costa, sua participação como membro da Guarda Nacional, ou o senso de família, foi um grande patriarca dos Targino, e dirigente local por tempo bastante relevante. Morreu em 1947, no pleno comando da política municipal, durante período de redemocratização do país após a ditadura de Getúlio Vargas,  uma multidão participou de seu cortejo fúnebre. Foi a personificação do conceito de família clânica e o último Targino Pereira da geração mais antiga. 

Wellington Rafael 

Referências:
*Os Targinos e os Belmont da Serra de Araruna. Pinto. Z.F. 2002;
*O Velho Mercado de Araruna e seus arredores. LUCENA. H.F. 1996.

segunda-feira, 13 de março de 2017

A história do Velho Mercado de Araruna

Fachada do atual Mercado Cultural, 2017. Fonte: https://www.araruna.pb.gov.br/noticias/mercado-cultural.html
O atual Mercado Cultural Professor Arnaldo Rodrigues está totalmente ligado a história da evolução urbana de Araruna, no que tange seu desenvolvimento, pois foi esta edificação que contribuiu com o progresso da cidade na primeira metade do século XX.  Este logradouro público foi construído com a designação de ser o Mercado Público da cidade, e foi esta finalidade que  exerceu por muitas décadas após sua construção.

Nos primeiros anos do século XX, foi erguido o primeiro mercado público de Araruna, idealizado pela família Targino (grupo influente politicamente no município) capitaneada pelos irmãos Pedro Targino Pereira da Costa (Major Pedro Targino) e Targino Pereira da Costa (Coronel Gino), só que para que realmente este projeto saísse do papel, foi de crucial importância, a determinação do misto de advogado e engenheiro José Amâncio Ramalho, e por mais que pese a participação dos Targino na construção do Primeiro Mercado, foi pelas mãos de Amâncio que a construção aconteceu.

José Amâncio Ramalho, construtor do Velho Mercado de Araruna.
Fotografia do inicio do século XX.
Fonte: Humberto Fonseca de Lucena
Major Pedro Targino Pereira da Costa ( 1859-1947).
Fonte: Humberto Fonseca de Lucena.
Targino Pereira da Costa (Coronel Gino). Foto da década de 1920.
Fonte: Humberto Fonseca de Lucena.

Para Amâncio, Araruna tinha que sair do estado de inércia em que se encontrava, e buscar novo fôlego para crescer, e foi realmente isso que aconteceu, a paisagem urbana primitiva, saindo de seus arruados mal dispostos e foram aos poucos dando lugar a uma paisagem organizada com um alinhamento de ruas projetadas, além de sair do marasmo econômico em que se encontrava a então vila de Araruna.

Deste modo, o prefeito da época, Sebastião Soares Cabral (1907/1909), influenciado pelo grupo político Targino, aceitou o desafio de construir este prédio, a prefeitura porém, só dispunha de 8 dos 30 contos de réis necessários á obra, assim, Amâncio custeou os demais 22 contos de réis faltantes, em troca de 10 anos de aluguel do prédio.

Aproveito o espaço para exaltar a importância histórica de José Amâncio Ramalho, construtor do velho mercado de Araruna, pois foi com esta bem feitoria que em muito a cidade progrediu, no entanto, não existe sequer uma homenagem pública em seu nome, denominando uma rua ou outro tipo de lembrança. A mesma se faria muito justa, para que as futuras gerações saibam de sua existência e importância.

Fachada principal do Velho Mercado Público. Fotografia de 1934. Fonte: Humberto Fonseca de Lucena

A alegria para construção do Velho Mercado que iniciou em 1908, trouxe esperança para toda população ararunense, assim como nos conta Humberto Fonseca de Lucena:

Conta-se, em Araruna, que todo o povo, em grande animação, carregou pedras para a construção do mercado. Esse entusiasmo contribuiu para abreviar os trabalhos, cuja duração ocupou todo o resto de 1908 e prolongou-se por quase todo o ano seguinte, quando a obra foi dada por concluída com a chegada dos portões de ferro procedentes da Europa. Restavam o reboco e a pintura. Na verdade, faltava pouco.  (LUCENA, 1996, p.67).

O mercado então, construído, foi inaugurado aos 7 de setembro de 1909, data que consta em seu brasão no topo de sua fachada frontal. Assim, a urbanização da cidade aconteceu, o comércio se deslocou para o entorno do mercado, a feira-livre junto, além do aformoseamento da urbe, com a construção de novas casas em seu redor, um marco para o município.

Velho Mercado de Araruna e feira livre em seu redor. Década de 1960.
(Fonte: LUCENA, 1996, p.185).
E assim foi por  longos 59 anos, o prédio sendo utilizado como mercado público, até que o mesmo foi desativado no ano de 1966 pelo prefeito Targino Pereira da Costa Neto, que construiu um novo mercado público para cidade, com a abertura da avenida Benedito Fialho, o qual é utilizado até hoje. Com isto, o “Velho Mercado” perdeu sua função, e ficou sem destinação por muito tempo, tendo grande parte do comércio em seu redor, migrado aos poucos, para junto do novo mercado, a administração municipal á época, o usou como garagem por algumas ocasiões, e pretendiam transformá-lo em sede da prefeitura de Araruna, mais não foi isso que aconteceu.

Em frente ao antigo Mercado Público, caminhão com carga de agave. Anos 1950
Fonte: memoriadeararuna.com.br.
Detalhes da arquitetura original da Praça João Pessoa. 1940. Fonte: memoriadeararuna.com.br

No ano de 2000, o “Velho Mercado” que tanto serviu a Araruna, foi restaurado, sendo salvo do estado de degradação avançada e desempenharia uma nova função, ganhou um novo título concebido por um projeto de lei, do então vereador Vital da Costa Araújo,  sendo denominado pelo prefeito Benjamin Maranhão Neto de "Centro Cultural e Social Professor Arnaldo Rodrigues", nomenclatura que reverencia um antigo professor do município. Infelizmente com o passar das gestões, até mesmo a função cultural, ficou aquém do que a sociedade merecia, e o prédio caiu novamente em estado de inércia. 

Antigo Mercado, já como Centro Cultural em 2009. Foto: ararunapb.com
 Com tanto menosprezo pelo prédio acabamos conhecendo os versos do velho Borges, que ao ver o abandono do velho mercado décadas atrás, dizia:  

“Oh Araruna ingrata
Que mal ele fez a tu ?
Num dia desse de festa
Até as casa se veste
Só o Mercado Véio anda nu!”

Após, um novo período de pouca movimentação, este centro de cultura é reaberto e reapresentado a população, como espaço para apresentações culturais e artísticas, tendo como forma de aliar sua grande história e importância pra vida urbana e social de Araruna, sendo nomeado de Mercado Cultural, continuando e aprofundando sua função como centro cultural da cidade, onde todos os finais de semana é realizado um evento que cada dia vem se consolidando, o "Domingo no Mercado - Cultura com Lazer", pensado e posto em prática pelo prefeito Vital Costa neste ano de 2017.

Logomarca oficial dos eventos que ocorrem todos os domingos no Mercado Cultural de Araruna.
Fonte: Araruna.pb.gov.br

O Velho Mercado de Araruna, é sem dúvida, a construção que mais contribuiu com o progresso urbano da cidade, e onde muitos dos episódios da vida cotidiana de nossa sociedade aconteceram, sua importância é grandiosa, sendo um dos mais conhecidos cartões postais da cidade, lugar que nos faz rememorar muitas reminiscencias.

Por: Wellington Rafael

Referências: O velho mercado de Araruna e seus arredores. 1996. LUCENA. H.F.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Memórias de Araruna: Recordando Tota do Camucá

Antônio Fernandes Cordeiro
Antônio Fernandes Cordeiro, nasceu aos 21 de abril de 1921, em Araruna/PB, no sítio Camucá, filho de Luís José Fernandes e Maria Augusta Cordeiro. Popularmente conhecido pela alcunha de "Tota do Camucá", em referência ao sítio onde nasceu e  viveu parte da vida, sendo um dos maiores expoentes pela luta dos direitos dos trabalhadores rurais na história do município. 

Perdeu sua mãe muito jovem, aos 3 anos de idade, quando a mesma, deu á luz a seu único irmão, que também teve vida curta, morrendo aos 3 anos, quando Antônio estava com 6, tendo sido desta maneira criado pelo pai Luís José. 

Estudou apenas o referente ao antigo primário, em um grupo escolar no sítio Mata Velha, tendo a senhora Veny Torres, como uma de suas professoras.

Com 16 anos, casou-se com Rita Pontes da Costa, cujo enlace gerou 11 filhos: Maria Augusta, Maria Olívia, Maria Aparecida, Bernadete, Auta Mira, Antônio, João, Assis, José, Miriam e Joana Darc. Porém, Dona Rita faleceu em 1961, aos 40 anos de idade.

Com a morte da esposa, Antonio casa-se com uma irmã mais nova dela,  Stela Maris, com quem teve mais 9 filhos: Luis Carlos, Luiza, Pedro, Márcia, Marcos, Teresa, Lucrécia, Emiliano e Quitéria.

Casa que Tota residiu no sítio Camucá, construída por seu avô.
Foto de março de 1982. Fonte: Acervo da família Fernandes. 
Durante a década de 1940 deixa o sítio Camucá e vai morar em Santa Cruz/RN, onde viveu por quase uma década, retornando á Araruna por volta dos anos 1950, onde passa a cuidar do pai idoso e alguns tios, morando até 1971 no sítio Camucá, de onde o deixa novamente, para residir no sítio mais próximo á cidade,  denominado "Lagoa dos Homens", e posteriormente, 1975,  na zona urbana, mais precisamente na Avenida Semeão Leal, popular "Rua da Avenida", entretanto, não se desvinculando da zona rural. Esta ida á cidade está em parte ligada á um melhor acesso de seus filhos á escola, mas constantemente visitava seu imóvel rural. E, por volta de 1987, volta a residir em sítio, na Lagoa dos Homens, até os últimos dias de sua vida.

Antônio Fernandes no Sindicato dos Trabalhadores
Rurais de Araruna, sentado ao fundo Ernany Moura.
Seu Tota sempre trabalhou como agricultor, e sempre esteve envolvido com as causas de sua classe trabalhista, dentre uma de suas maiores preocupações era de conseguir mobilizar os trabalhadores rurais a garantirem direitos de receberem sua aposentadoria, inicialmente, meio salario mínimo, e posteriormente um salario inteiro.

Como os trabalhadores rurais não foram contemplados com os direitos trabalhistas garantidos pelo presidente Getúlio Vargas em 1943, que abrangia apenas os trabalhadores urbanos.

Apenas a partir de 1963, é que foi criado um Estatuto do Trabalhador rural, que lhes asseguravam direitos como indenização, aviso prévio, salário, férias, repouso, entre outros, mesmo assim, muitos destes direitos apenas vigoraram de fato, a partir da Constituição Federal de 1988, até lá houveram muitas lutas.
                                               
Mediante o envolvimento com estas causas, acabou se tornando o fundador do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araruna, em 26 de agosto de 1972, mas sendo reconhecido somente em 1975.

Como um líder das causas rurais se envolveu muito fortemente nestas questões, durante a década de 1980, sobretudo, ao que se refere a Reforma Agrária, neste período participou de diversos congressos em Brasília, afim de discutir melhorias para a vida dos trabalhadores do campo, juntamente com outros sindicalistas do estado e de outras regiões.
Geraldo Ferreira Leite, Monsenhor Joaquim e Antonio Fernandes no
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araruna.
Seu Tota com membros do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araruna/PB.
 Data indenifida. Fonte: Acervo da Família Fernandes.
Antonio Fernandes "Tota", o primeiro a direita em pé, ao lado de pessoas ligadas a  sindicados de
trabalhadores rurais em Brasília. Foto do final dos anos 1970.  Fonte: Acervo da Família Fernandes.
Tota do Camucá, o quinto em pé á esquerda, em um dos congressos que participou em Brasília,
 no final dos anos 1970. Fonte: Acervo da Família Fernandes.
Neste período, conheceu melhor movimentos como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Sem Terra (MST), além de conhecer o líder sindical em grande ascensão em âmbito nacional, Luís Inácio Lula da Silva, futuro presidente da república, que chega a visitar sua residência em Araruna, na Rua da Avenida, por volta de 1982. Mediante estas aproximações, Antonio Fernandes funda o Partido dos Trabalhadores (PT), em Araruna - PB.

Tota conhece ainda a luta de Margarida Maria Alves, expoente pelas lutas no campo, assassinada aos 12 de agosto de 1983, em Alagoa Grande/PB, prevendo sua morte com seu discurso constante: "Da luta não fujo. Prefiro morrer na luta do que de fome", sua morte sensibilizou bastante Tota, que foi ao sepultamento de Margarida prestar sua solidariedade a sua pessoa e a causa que defendia, pois não era algo tão simples, este crime chamou a atenção do Brasil, para o clima de tensão entre os sindicatos e os latifundiários do Agreste Paraibano. 

Discurso de Margarida Maria Alves em Guarabira, com a Igreja de Nossa Senhora da Luz ao fundo, evento que contou com  a participação de Luís Inácio Lula da Silva. Tota do Camucá também se faz presente, sendo o primeiro a direita. Fonte: Diocese de Guarabira.
Por seu envolvimento cada vez mais forte com a luta pelos direitos dos trabalhadores rurais e Reforma Agraria, e organização de áreas de assentamento, acaba sendo preso por envolvimento em conflitos de terra em 1983, conseguindo um habeas corpus do criminalista paraibano renomado Geraldo Beltrão. 

Após notar uma espécie de favorecimento de algumas pessoas que lideravam movimentos como CUT e MST, sobre os mais pobres, decidiu se desfiliar do PT, onde a política local o trouxe a uma candidatura a vereador em 1988, já pelo partido do PMDB, da candidata a prefeita Wilma Maranhão, Tota entretanto não conseguiu se eleger, obtendo apenas 45 votos.

Seu Tota discursando em sua campanha para vereador em 1988, juntamente com a prefeita Celeste Torres,
 e Wilma Maranhão, eleita prefeita naquele pleito. Fonte: Acervo da Família Fernandes.
Possuidor de um incontável número de afilhados, geralmente filhos de trabalhadores rurais, Tota sempre dedicava muito de seu tempo em ajudar os mais necessitados, fazia feiras constantes para comprar alimentos aos carentes, inicialmente no comércio de Socorro Macêdo, e depois no de seu Zé Pereira, onde se observava que sempre suas contas ficavam a mais do que o esperado, por sempre extrapolar o limite das compras no comparativo a manutenção de sua própria casa e estas ajudas. 

Antonio Fernandes Cordeiro possuía como hobby, o gosto pela leitura, era assinante de jornal e de revistas, tinha em sua casa várias estantes com livros que comprava constantemente, hábito que era observado pelos filhos e pessoas mais próximas. Tinha um óculos para leituras, e sempre que o esquecia em algum lugar por desatenção mesmo assim não ficava sem leitura, pois pedia a sua esposa Stela Maris que lê-se para ele.

Mesmo possuindo pouca escolaridade, era possuidor de muito conhecimento e cultura, que foram sendo adquiridos ao longo de sua vida.  Era um orador nato, fato este, comprovado em um dos congressos que participou em Brasilia. Sendo escolhido pelos seus colegas para representar à Paraíba em seu discurso, Tota dispunha de 10 minutos, porém, com o oportuno discurso que agradou aos presentes lhe foi concebido mais tempo, falou por cerca de 40 minutos, e ao seu término foi muito prestigiado em aplausos por um público de pé.
Seu Tota na velha casa do Camucá, com sua filha Auta Mira, os netos Filipe e Conceição,
e em pé os filhos Teresa e Marcos. Foto de 1982. Fonte: Acervo da Família Fernandes
Antônio Fernandes Cordeiro, data indefinida.
Fonte: Acervo da Família Fernandes.
Antônio Fernandes Cordeiro, em fotografia de 1976.
Fonte: Acervo da Família Fernandes.

Caderno para resolução de problemas utilizado por Antônio Fernandes (Tota).
Com a datação na capa de 2/10/1933. Detalhe para o sobrenome invertido. Fonte: Acervo da Família Fernandes.


Seu Tota com a esposa Stela Maris, no "terreiro" de casa no sítio Lagoa dos
Homens.Fotografia de 1997. Fonte: Acervo da Família Fernandes. 

Deste modo, verificamos a biografia de um homem, que lutava por um ideal, uma causa social, alguém que se compadecia pelo mal estar alheio, qualidade esta que raramente se encontra em sociedades tão egoístas. Antonio Fernandes Cordeiro, ou simplesmente Seu Tota, faleceu aos 13 de novembro de 2000, deixando um legado de amizades e trabalho, assim como boas recordações de sua família, esposa, filhos (as), netos (as), sobretudo por ser um pai e avô muito presente na vida de todos que faziam parte de sua vida.

Após sua morte, o filho Marcos, vice-presidente do sindicato assume o posto, conseguindo se eleger nos anos seguintes.

Tota sentia muita falta de seu pai Luís José, a quem teve grande referencia como homem, aliando essa admiração através da escrita, dentre seus escritos encontramos um dedicado á ele, mas que claramente é lido com o mesmo sentimento do autor, desta vez por seus filhos e pessoas próximas.

I
Meu pai, já que não te vejo.
Fugiste de mim pra eternidade,
Resta-me doar-te uma grinalda,
Como prova de amor e saudade.
II
Foste um exemplo de pai,
Foste amigo sincero e bom,
Já não te vejo em lar,
Mas no céu mereceste do dom.
III
Queria sonhar contigo à noite,
Ver teu semblante iluminado,
Abraçar-te doar-te uma grinalda,
Como prova de amor e saudade.


*Externo meu agradecimento á professora Teresa Cristina Fernandes e a Stela Fernandes Cordeiro, filha e neta, respectivamente, de Antônio Fernandes Cordeiro, pelas informações e facilitação ao acervo fotográfico utilizado

Referência: Zenilda Paida. "Trabalhador Rural". http://www.conteudojuridico.com.br/?artigos&ver=2.36550

sábado, 23 de maio de 2015

Memórias de Araruna: Recordando Maria Celeste Torres


MARIA CELESTE TORRES DA SILVA
Uma das personalidades mais lembradas pelo povo de Araruna e região, é a da senhora Maria Celeste Torres da Silva, conhecida popularmente como Dona Celeste, pessoa simples, carismática, e sobretudo solidária, que deixou sua marca nos quatro cantos do município.

Nascida aos 10 de outubro de 1921, sendo natural de Araruna - PB,  filha do senhor João Alves Torres, oficial de justiça da comarca de Araruna, e da senhora Maria Tecla da Silva, dona de casa. Foi criada em um lar simples ao lado dos irmãos José Torres, Maria do Carmo, Maria das Neves, Iraci e Ceci, tendo convivido por muitos anos no sítio Trapiá do Jiraú, neste município, e posteriormente indo morar na "rua", tendo junto com seu esposo, Francisco Januário da Silva, administrado um comércio no ramo de panificação, que funcionava na Avenida  Antonio Carneiro por longas décadas.

Dona Celeste, sempre teve como característica marcante em sua vida a solidariedade, uma sensibilidade muito forte com as causas dos mais humildes e necessitados, qualidade esta, que pode ter sido motivadora para iniciar sua carreira política, mesmo após ter perdido seu esposo muito jovem, no ano de 1963, não esmoreceu, criou os filhos, José Torres, Eduardo, Luis, Antonio, Rosineide, e os de criação Maria de Fátima e Liliane, e seguiu sua vida de dona de casa, comerciante e mãe zelosa, como uma pessoa simples e discreta, até adentrar na política.

Prefeita Maria Celeste Torres, representando Araruna, em reunião de prefeitos na década de 1980. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.
Militante fiel do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido liderado pelo ex-prefeito, e chefe político na região no curimataú, Benjamim Gomes Maranhão (Seu Beija), recebeu  um convite de se candidatar a vice-prefeita, feito pela filha do mesmo, à jovem Wilma Targino Maranhão, que seria candidata a prefeita pelo partido nas eleições municipais de 1976, uma tarefa difícil, pois o grupo do antigo partido ARENA (Aliança Renovadora Nacional), comandava os destinos de Araruna, a cerca de duas décadas, inclusive no pleito de 1972, o filho de Celeste, Luis Januário Torres da Silva, candidato do MDB, havia sido derrotado por Mentor Carneiro da Fonseca na disputa pela prefeitura.

Celeste aceitou o convite, para manter acesa a chama do MDB ararunense, junto com Wilma, encabeçando a chapa, o partido precisava se restabelecer no município, já que seu líder maior Benjamim Maranhão, estava militando no recém criado município de Cacimba de Dentro. Assim, foram Wilma e Celeste, para a disputa, contra adversários muito fortes e conhecidos do eleitorado local, além de comandarem por cerca de 20 anos a prefeitura, eram os senhores Agenor Targino candidato á prefeito, tendo José Adalberto Targino como seu vice, pelo partido ARENA 1, e Antonio Martins de Sousa, candidato á prefeito, que teve como vice José Torres da Silva, pelo ARENA 2.

Prefeita Celeste Torres, e seu filho Antonio Januário, no centro administrativo Benjamim Gomes Maranhão, sede da prefeitura de Araruna em março de 1985. Foto: Ana Maria Queiroga da Silva
É imperioso destacar, que a simples candidatura de duas mulheres em um cargo de destaque, na década de 70 do século XX, era por si só uma grande demonstração de coragem, e quebramento de estigmas sociais, pois a cultura do patriarcado sempre esteve muito presente na região Nordeste. Mais que isso, a dupla de mulheres conseguiu a façanha de se eleger, contra grupos políticos muito tradicionais e poderosos. Em muito pelo apoio de Beja Maranhão, do eleitor fiel do MDB, mais sobretudo por não terem desistido da eleição, persistido. 

O resultado eleitoral foi o seguinte:
  • MDB: Wilma Targino Maranhão, prefeita; Maria Celeste Torres da Silva, vice prefeita,   3.035 votos, 51,40% dos votos. ELEITAS.
  • ARENA 1: Agenor Targino, prefeito; José Adalberto Targino de Araújo, vice prefeito, 1.875 votos, 31,75% dos votos. Não eleitos.
  • ARENA 2: Antonio Martins de Sousa, prefeito; José Torres da Silva, vice prefeito, 995 votos, 16, 85% dos votos. Não Eleitos.
As duas mulheres haviam então, conseguido derrotar os quatro homens. Wilma Maranhão, assume como prefeita, tendo Celeste Torres sua vice, com mandato de 1977 á 1982, gestão que até hoje rende críticas positivas á administração, pela maneira em que foi realizado o mandato, sendo oposição ao governo estadual e federal, contando apenas com recursos próprios. 

Em 1982, a própria então vice prefeita, Dona Celeste, acabou se tornando a candidata natural do partido, agora PMDB, por seu carisma partidário e perante a população, acabou sendo eleita, para um mandato de 6 anos, derrotando o candidato do PDS (Partido Democrático Social), Antonio Fialho Moreira.
  • PMDB: Maria Celeste Torres da Silva, prefeita; Paulo Odon de Macedo, vice prefeito, 3.423, 51,29% dos votos. Eleitos.
  • PDS: Antonio Fialho Moreira; prefeito; Antonio Martins de Sousa, vice prefeito, 3.193 votos, 47,84%. Não eleitos.
Foi sobretudo em seu mandato como prefeita, que Dona Celeste conseguiu ampliar seu carisma perante a população, pois como pessoa de modos simples, sem muito estudo, entendia a linguagem popular, e agia combatendo os principais problemas da população mais carente.

Posse da Prefeita Eleita Maria Celeste Torres da Silva, presentes Wilma Targino Maranhão, sua filha Olenka, Sebastião Anterio, Antonio Januário Torres da Silva, Paulo Odon de Macedo, vice prefeito. Fotografia de 1983. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.

Dentre as ações da Administração da prefeita Maria Celeste Torres, destacamos as seguintes:
  1. Preocupação com o pagamento da carteira dos funcionários municipais perante o INSS;
  2. Reforma e ampliação do Grupo Escolar João Moreira Soares;
  3. Construção da Escola Municipal João Alves Torres;
  4. Construção do Grupo Escolar, e inicio de construção de Posto de Saúde em Mata Velha;
  5. Construção de Posto Telefônico de Mata Velha;
  6. Construção da Creche Maria Tecla da Silva;
  7. Construção de Creche em Carnaúba;
  8. Construção de Grupo Escolar no Sitio Camucá;
  9. Construção do Grupo Escolar Monsenhor Cavalcante de Miranda; 
  10. Abertura da Avenida Semeão Leal, no encontro com a rua Bulhões de Carvalho;
  11. Alargamento da rua João Pessoa na popular " Rua da Palha", assim como calçamento de todas as ruas inerentes a este espaço;
  12. Construção do Centro de Convivência dos idosos, em proximidade ao cemitério São João Batista;
  13. Construção do Centro Escolar de  Lagoa de Fora, um antigo sonho seu;
  14. Campanha de distribuição de enxovais as mulheres grávidas;
  15. Campanha de distribuição de filtros;
  16. Iluminação na zona rural, sítio Macapá;
  17. Doação de terreno onde foi construído o presidio da cidade;
  18. Apoio a Banda  de Música "12 de Agosto", com manutenção de fardamento e instrumentos;
  19. Apoio ás práticas esportivas como torneios de futebol, maratonas;
  20. Convênio com o Hospital e Maternidade Maria Júlia Maranhão;
  21. Convênio com a Universidade Federal da Paraíba, nos cursos de Medicina e Odontologia, que enviavam seus estagiários á Araruna;
  22. Implantação do Transporte aos universitários de Araruna em outros municípios, sobretudo Guarabira;
  23. Construção de Posto Telefônico da antiga TELPA (Telefonia da Paraíba), no distrito de Riachão de Araruna;
  24. Calçamento em várias ruas no distrito de Riachão.

Wilma Maranhão, Celeste Torres, Ana Maria, em missa presidida pelo Monsenhor Joaquim.
Fotografia de julho de 1985. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.
Prefeita Celeste Torres, entre outros Manoel Paulino, João Vasco, Almir Carneiro da Fonseca, Professor Raimundinho.
Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.
Prefeita Celeste Torres em barraca representativa de Araruna, na feira dos municípios, em João Pessoa.
Década de 1980. Fonte: Ana Maria Queiroga. 

"ARARUNA - a rainha do feijão", representação do município na Feira dos Municípios na capital João Pessoa. Final da década de 1980. Fonte: Ana Maria Queiroga.
Prefeita Celeste Torres em comemoração de carnaval com jovens de Araruna,
 usando seu tradicional xale. Foto: Ana Maria Queiroga da Silva.
Wilma Maranhão, Glauce Burity (primeira dama do estado) e Celeste Torres, no clube 14 de Julho,
 em fevereiro de 1988. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva. 
Wilma Targino Maranhão, Marluce Fonseca e Celeste Torres em inauguração de
grupo escolar na zona rural. Fonte: Ana Maria Queiroga.
Campanha eleitoral de 1988, com o "Retorno de Wilma", entre os presentes Celeste Torres, Zé Bernardino, Zé Pereira e outros. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva. 
Maria Celeste Torres e Wilma Maranhão inaugurando instalação de posto telefônico no distrito de Riachão,
 presente  Gervásio Bezerra Maia, responsável pela TELPA - PB no período. Década de 1980. Fonte: Ana  Maria Queiroga.
Comício do PMDB durante as eleições de 1988. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.

Abraço de Wilma e Celeste, durante comício nas eleições de 1988. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.
Missa em comemoração a emancipação política de Araruna, entre outros, Dona Celeste, Wilma Maranhão,
Lourdinha Odon. Década de 1980. Fonte: Ana Maria Queiroga.
Prefeita Celeste Torres entregando título de Cidadão Ararunense ao Monsenhor Joaquim de Sousa Simões.
Década de 1980. Fonte: Ana Maria Queiroga.
Dona Celeste em frente sua residencia, entre outros Salva Dutra, Wilma Maranhão, Valdir Bezerra.
Foto: Ana Maria Queiroga.
Celeste Torres durante visita do governador interino Almir Carneiro da Fonseca, filho de Araruna, entre outros, Mentor Carneiro da Fonseca, Wilma Maranhão e Sebastião Antério. Década de 1980. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.

Muitas foram as realizações da gestão de Dona Celeste, sendo a principal a construção da maior escola do município, o João Alves Torres, que possui a maior quantidade de alunos, tendo recebido grande apoio posterior na década de 1990, da gestão do prefeito Benjamin Maranhão Neto, e do governador José Maranhão, no que tange á expansão de sua infra-estrutura. 

Prefeita Celeste Torres distribuindo enxovais á gestantes do município, entre outros,
 sua nora  Ana Maria. Década de 1980. Fonte: Ana Maria Queiroga da Silva.

Campanha de distribuição de filtros. Década de 1980. Foto: Ana Maria Queiroga da Silva.

Porém, sem sombra de duvidas, onde a marca de Dona Celeste mais se faz presente é na área social, sendo considerada por muitos uma verdadeira "mãe da pobreza", pela dedicação com os mais humildes, sobretudo os da zona rural, aspecto de sua vida que não se deve associar somente por sua vida pública, mas por sua grande bondade, pois antes de se tornar vice-prefeita e prefeita, e após seus mandatos, Celeste nunca fechou as portas de sua casa para a população mais carente de Araruna. 

Além do filho Luis Januário Torres, que se candidatou a prefeitura local duas vezes, outros filhos de Dona Celeste se candidataram a cargos legislativos no município, como José Torres (2 mandatos), Maria de Fátima (1 mandato), Antonio Januário Torres da Silva "Toinho Jacinto" (1 mandato), além da nora Ana Maria Queiroga (1 mandato). Fora isto, Celeste Torres é tia do ex-deputado e atual prefeito de Guarabira Zenóbio Toscano, filho de sua irmã Maria do Carmo.

Dona Celeste gostava muito de se reunir com as amigas em sua casa, na Avenida Epitácio Pessoa, sobretudo durantes os jantares, onde conversavam sobre o cotidiano, possuiu uma quantidade incontável de afilhados, passavam dos 1 mil! Teve um final de vida, caseiro e discreto, mas sempre rodeado de pessoas amigas e dos mais carentes, á quem sempre teve destacada atenção.

Casamento de Fabiana, neta de Celeste, com Carlos, durante a década de 1980. Fonte: Carlos Suzuky
Faleceu na madrugada do dia 17 de julho de 1994, vítima de um infarto fulminante, mesmo dia em que a Seleção Brasileira de Futebol conquistava seu Tetra campeonato nos Estados Unidos. Durante as horas difíceis do infarto ainda se tentou socorrê-la, encaminhado-a para o hospital da cidade,  pedindo carona ao primeiro carro que aparecesse na rua, por ventura o do senhor Raul da Costa Câmara, porém sem êxito, Dona Celeste falece. Seu velório ainda é lembrado por muitos, como um grande acontecimento da cidade, mediante a enorme multidão que veio acompanhar, prestando assim as ultimas despedidas.

Maria Celeste Torres da Silva deixa como legado algo muito além das ações administrativas, mas uma bondade e uma solidariedade somente vistas em poucas pessoas, certamente incluída em bons momentos das memórias ararunenses, e nas saudades dos filhos, netos, genros, noras, e principalmente na lembrança dos mais necessitados, a quem nunca nunca se recusou em ajudar.

* Meu agradecimento ao filho de Dona Celeste Torres, Antônio Januário Torres da Silva, popular Toinho Jacinto pelas informações que transmitiu, e a sua esposa, Ana Maria Queiroga da Silva, pelo acervo fotográfico. 

WELLINGTON RAFAEL